Ver para crer?

A palavra “acreditar” no dicionário da língua portuguesa significa estar convencido da veracidade, existência ou ocorrência de algo. Neste sentido, qualquer pessoa que venha a acreditar apenas vendo é porque parte do princípio que o sentido da visão traz a máxima semelhança com o objeto de análise, ou até mesmo que a visão nos dá o que o objeto é em si.

Assim pensam as crianças e também muitos adultos. Sabemos por outro lado, através explicações científicas, que a visão é apenas uma representação de algo que também é apenas um fenômeno. Não se pode afirmar o que algo é, apenas pegando sua aparência em um determinado instante. Nossa consciência infelizmente trabalha assim, quando dizemos por exemplo, que uma maçã é tal objeto, com tal sabor, e com tal aspecto e certo odor. Mas a maçã em si não é qualidades e sim um processo vivo.

Também nos enganamos quando olhamos a Lua pela janela de nossos quartos e a vemos tão pequenina. Somente através da razão é que podemos abstrair o sentido rudimentar e então concluir que trata-se de uma ilusão causada pela distância e que de fato ela é gigantesca se comparada ao nosso tamanho. E muito pouco preciso é dizer que hoje está frio ou calor em determinadas faixas de temperatura, porque duas pessoas podem afirmar contrariamente suas posições.

Os sentidos são o que há de mais inseguro para se buscar a Verdade. Quando a consciência humana testemunhou a chegada do Cristo, houve uma mudança em definitivo para se busca-la na realidade espiritual, puramente dada pelo pensamento e nada que seja físico.

Se ainda buscamos sinais nos sentidos é porque nossa mente ainda se detém em uma frequência ainda não esclarecida suficientemente. Trata-se do que se chama na filosofia de Hegel ‘A certeza sensível’, um estado ainda infantil da consciência, mas necessário e que há de ser superado para se alcançar a Verdade em outro tipo de relação com o objeto.

Jesus dizia serem “felizes” os que criam sem ver. Não se pode supor a partir desta assertiva, que o mestre propunha acreditarmos cegamente. Se assim fosse, nenhuma distinção haveria entre Ele e um vigarista qualquer. Abençoados são os que creem sem se prender à ilusão dos sentidos, mas que compreendem racionalmente e moralmente o porquê da vida em Cristo.

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