Sobre Vigiar e Orar

Pode parecer que estas orientações nos são necessárias porque vivemos em graves e constantes ameaças à nossa integridade física e moral. Mas por mais inseguro que seja o mundo, com suas forças destruidoras, não podemos nos enganar. Este conselho do Cristo é para ser trabalhado no interior do Ser. Conforme afirmavam Descartes e em certo aspecto Leibniz, a substância espiritual é distinta da extensa ou material e uma não pode interferir na outra. De certo passamos fome, sentimos dor através do corpo, mas não é neste nível a que me refiro, a matéria de fato não penetra no amago do ser, tanto é verdade que quando desencarnamos, apenas o corpo morre. Para mais uma confirmação acerca deste argumento, basta lembrar do que disse o Cristo em concordância com os filósofos e vice-versa, que não há nada exterior que venha a contaminar o homem.

Nossos Espíritos ainda são em demasia imperfeitos e constantemente tendem a ceder aos instintos em detrimento da razão. É preciso, portanto, trazê-lo sempre à luz da lei moral. Conforme dizia o filósofo alemão Immanuel Kant, cada um de nós necessita produzir dentro da própria consciência, um conjunto de leis morais, irrevogáveis, irrefutáveis para que sirva de mola mestra na condução do próprio destino.

Portanto, o “Vigiar e Orar” não é somente um exercício, como uma prática mecânica diária, antes é a própria estrutura de um Espírito apurado o suficiente para perceber o esforço necessário para se purificar em suas imperfeições, para compreender o próprio ser, seus limites, seus desejos, na finalidade de possuir a autonomia em si mesmo, a única liberdade a exemplo do Cristo que afirmava ser apenas UM junto ao Pai.

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