Lidando com perdas

A consciência enquanto não se eleva no conhecimento de si, que é refletido no mundo, tende a imaginar que pode ter a posse de objetos ou até mesmo de outros seres vivos. O surgimento do conceito do privado, historicamente associa-se ao processo de individualização do sujeito dentro de uma lógica jurídico-capitalista. Ao mesmo tempo é uma tentativa da consciência de se reconhecer no particularismo das coisas.

A ilusão da posse é somente um primeiro estágio da consciência e não lhe permite gozar de sua liberdade, pois enquanto possui algo, dele depende e a ele se submete. Tudo é processo e muda rapidamente, como uma maça que insisto em afirmar que me pertence – devo comê-la, pois logo será apenas matéria apodrecida. Importante é trabalhar com a matéria e servir a propósitos elevados; a maçã não deve ser minha para sempre, aliás, nunca foi, deve apenas atingir sua finalidade no campo das relações humanas, ou seja, alimentar a quem precisa.

A perda é uma ilusão. Tudo deve ser negado em si, para que renasça. Assim é a morte que nega a vida, para que surja outra. Perda ou ganho são estados, momentos isolados, não podem ser tomados como a verdade em si, imediatamente e a cada instante. É preciso ver o processo, de como se vive a perda, de que forma ela pode ser útil para despertar a consciência que sabe a si mesma.

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